Cá estamos de novo e, como já vem sendo hábito, com algum atraso. Disso nos penitenciamos, mas tal tem a ver com o facto de o jornal ser feito de forma amadora e muitas vezes contrariada por problemas de ordem familiar ou de saúde, entre outras, como foi o caso.
Este número do BIC tenta dar conta do que de mais importante aconteceu nos últimos meses na nossa terra, com destaque especial para a barragem de Daivões e de tudo o que gira à volta da sua construção, que está a decorrer aqui bem perto de nós.
Os “dinheiros da Iberdrola”, ou seja, as verbas de compensação ao município de Cabeceiras de Basto pelo impacto da construção da barragem e a forma como essas verbas estão a ser aplicadas pela Câmara Municipal, deram origem a uma onda de contestação que levou a população da nossa terra a usar o “direito à indignação” e a manifestar-se na sede do concelho e junto aos estaleiros da obra, levando Cavez às “bocas do mundo”.
É que são mais de dois milhões e meio de euros, previstos inicialmente para a ampliação da Pista de Pesca Desportiva de Cavez, mas que se decidiu que fossem antes aplicados noutras obras a realizar na zona de afetação da barragem, ou seja, nas freguesias de Cavez e de Gondiães e Vilar de Cunhas.
Só que a Câmara tem aplicado muito desse dinheiro em obras noutras freguesias, fazendo “orelhas moucas” às reivindicações dos cavecenses, com o Presidente da Junta de Freguesia, Paulo Guerra, à frente dos contestatários e a dinamizar a população para que o acompanhasse na defesa intransigente dos interesses de todos nós, de que são exemplo as manifestações realizadas em agosto.
A questão dos “dinheiros da Iberdrola” acabou por assumir, como era inevitável, contornos políticos cujas consequências ainda estão por apurar, mas que levaram desde logo ao aumento da tensão nas relações entre os responsáveis da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e da Junta de Freguesia de Cavez.
Apesar de Paulo Guerra reconhecer que a situação dá indícios de melhorar, ninguém esqueceu o clima vivido nas últimas sessões da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto, onde o Presidente da Junta de Cavez foi acusado de manipular e intoxicar a população da sua freguesia e de não ser solidário com as restantes freguesias do concelho.
Tentou assim passar-se a mensagem de que Paulo Guerra e o povo de Cavez eram egoístas e queriam para si todo o dinheiro das compensações, não dando a necessária importância ao principal, ou seja, ao facto de a verba da Iberdrola ser resultante da não ampliação da nossa pista de pesca desportiva, uma obra na nossa freguesia e que por isso devia ser aplicada completamente em Cavez.
A falta de solidariedade também é um argumento que não colhe, pois ao utilizar a verba da Iberdrola em Cavez, a Câmara poupa dinheiro do seu orçamento previsto para ser gasto na nossa freguesia e pode aplicá-lo noutras.
No entanto, temos que ser realistas e não nos parece que isso vá acontecer, pois sabemos como é a política e certamente a Câmara não deixará de colher dividendos políticos da situação criada, ou seja, não deverão ser os cavecenses a “rir por último”.
Mas outros assuntos enchem as páginas desta edição do BIC, como seja a partida do Padre Agostinho e a chegada do Padre Rui Filipe, dois momentos que animaram a comunidade paroquial de Cavez. Também damos destaque às diversas iniciativas que marcaram o verão na nossa terra, como a feira tradicional, as festas e o festival de folclore, o atletismo do S. bartolomeu e uma prova de perícia automóvel.
Como órgão de informação propriedade do Grupo Desportivo de Cavez, fazemos o ponto da situação relativamente à nossa equipa de futebol.
E muito mais pode encontrar aqui o nosso leitor!