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Sinceramente não pensava em escrever fosse o que fosse pois não estou em maré de muita inspiração e, alem disso, escrever nesta altura em que se aproximam as eleições para as autarquias locais e se está já num clima de pré-campanha, criará com certeza algum incómodo pois, consoante os diferentes entendimentos, o articulado poderá ser entendido como de apoio e/ou crítica pelas partes em disputa. No entanto o editor do jornal pede a minha colaboração e por isso mesmo, melindres à parte, decidi pronunciar-me sobre alguns assuntos da nossa atualidade.

CapturarA Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto inaugurou recentemente a obra de renaturalização das margens do rio Peio, Zona de lazer/praia fluvial da Ranha, em Abadim. Essa obra foi feita com verbas provenientes da IBERDROLA, através das medidas de compensação estabelecidas devido à construção da barragem de Daivões.

Tomei conhecimento disso, eu e julgo que a maioria de vós, através das redes sociais “facebook”, pois dois dos nossos amigos e conterrâneos, o José Serrão e o Mário Oliveira colocaram um “post” com essa publicitação.

Na altura comentei esses “post’s” referindo que o dinheiro, ali gasto, era aquele que o Cavez Clube de Caça e Pesca e a Junta de Cavez haviam disponibilizado e, ser de alguma forma estranho que a primeira obra a ser feita com esse dinheiro o fosse fora de Cavez.

Uma nossa amiga comentou também o “post” pondo de certa forma em dúvida a minha afirmação, considerando que a ser verdadeira não era correto estar a fazer-se obras em Cabeceiras.

Na altura esclareci-a mas julgo que aqui poderei explicar melhor essa minha afirmação.

Julgo que todos recordarão que o projeto inicial da barragem de Daivões previa a construção de um túnel sob Arosa, onde ficaria instalada a própria central de produção e onde circularia a água com bombagem de retorno desde o Pé Branco, ficando o troço intermédio, entre Rabiçais e o Pé Branco e consequentemente a área da Pista de Pesca apenas com caudal mínimo, o chamado caudal ecológico. Era assim o projeto inicial que foi posto a concurso.

Não interessa aqui discutir os porquês não só por me parecer irrelevante mas também porque desconhecemos em concreto as razões mas, o certo é que, a Iberdrola após ganhar o concurso alterou radicalmente o projeto da barragem de Daivões.

No novo projeto, acabou o túnel sob Arosa e a central passou para a lateral do rio, margem de Rabiçais, passando a barragem a debitar diretamente e sem bombagem de retorno.

Essa alteração considerando o aumento do caudal e consequentemente o aumento da velocidade da água que acarreta, obrigou desde logo a Iberdrola a garantir que a pista de pesca ficaria igualmente funcional e, daí a obrigação de efetuar obras na pista por forma a garantir essa funcionalidade.

Essa obrigação foi desde logo imposta pelo governo e por isso irão ser feitas pela Iberdrola as obras de reconstrução, ou melhor dizendo adequação da pista.

Recapitulando, há as obras a serem feitas na pista, negociadas pelo governo e, por outro lado existem as medidas de compensação negociadas entre o município de Cabeceiras de Basto e a Iberdrola que contemplaram apenas e só construção de novo setor na Pista de Pesca Desportiva de Cavez o que traria o aumento desta em 500 metros, para dotá-la de tamanho e pesqueiros em número que permitisse ali organizar qualquer tipo de prova internacional.

Havia à data notoriamente uma grande pressão da Associação Regional de Pesca do Norte para que a preocupação da autarquia fosse para com a pista de pesca, esquecendo tudo o restante que poderia e deveria, a meu ver, ter sido negociado.

E por isso para este resultado em muito contribuiu a dita Associação Regional de Pesca do Norte, na pessoa do senhor Barbosa, à data pessoa extremamente influente junto da presidência da autarquia e cuja influência, de certa forma condicionou a discussão sobre as medidas de compensação que vieram a ser discutidas e aprovadas.

Negociadas as contrapartidas, que volto a afirmar se ficaram pela ampliação para jusante da pista de pesca em 500 metros, após a elaboração do correspondente projeto e a aprovação pelas competentes entidades, foi orçamentado para a mesma o valor de 2.600.000,00 €.

Entretanto e após negociações entre a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, a Junta de Freguesia de Cavez e o Cavez Clube de Caça e Pesca, foi tomada a decisão de não executar a obra de ampliação da pista para poder disponibilizar o dinheiro para ai destinado, para a realização de outras obras.

Efetivamente estas entidades, após varias reuniões, acertaram com o, à data Presidente da Câmara Municipal, o Dr. China Pereira, não construir a ampliação à Pista de Pesca Desportiva de Cavez e disponibilizar o dinheiro que estava orçamentado para esse obra, 2.600.000,00 € (dois milhões e seiscentos mil euros) para a execução de outras obras no concelho e em especial na freguesia de Cavez.

Este facto é inquestionável até porque está documentado e, esta tomada de decisão ocorreu após várias reuniões entre o Presidente da Junta Paulo Guerra, eu próprio como Presidente do Clube, o Presidente da Câmara Dr. China Pereira e a funcionária/técnica municipal Dr. Cristina.

Após varias reuniões e visitas ao local onde estava prevista a obra, o Clube e a Junta entenderam dar seguimento às pretensões da Câmara e oficialmente abdicaram da execução da ampliação da pista e disponibilizaram assim o dinheiro para outras obras.

Julgo ter-me feito entender e com certeza percebem que só existe este dinheiro proveniente da Iberdrola porque o Cavez Clube de Caça e Pesca e a Junta de Freguesia de Cavez o disponibilizaram.

Quer a Junta de Freguesia quer o Clube vincaram bem, quando da disponibilização desse dinheiro, que a sua maior parte deveria reverter para a execução de obras na freguesia de Cavez, até porque era esta mesma freguesia que, pode considerar-se, estava a disponibilizar o dinheiro, presunção que ficou implícita das conversas que foram tidas entre as partes.

Resultou dessas conversas o empenho em fazer obra em Cavez, como nos foi manifestado pelo Presidente e pela Dr.ª Cristina que chegou mesmo a transmitir-nos algumas ideias relacionadas com obras, importantes, que poderiam ser feitas na freguesia.

Infelizmente, como todos sabem, pouco tempo depois de termos acordado estes factos o Senhor Doutor Serafim China Pereira, do conhecimento que tenho, face ao comportamento vergonhoso de alguns dos seus correligionários políticos tomou a decisão de deixar a presidência da Câmara Municipal.

Relativamente à Dr.ª Cristina, pelo que me chegou aos ouvidos, foi ostracizada como funcionária municipal, tendo sido notoriamente afastada deste e de outros assuntos da autarquia o que a terá levado a sair, deixando assim de trabalhar com a Câmara de Cabeceiras.

Lamento tal situação pois parece-me evidente que a competência profissional de ambos não pode ser posta em causa e muito menos a sua honorabilidade e integridade.

Portanto, as pessoas com quem o Clube e a Junta negociaram esta transferência de verbas já nada decidem sobre o assunto.

Considero agora, face ao desenvolvimento político e utilizando uma burlesca expressão muito usada por um antigo comandante meu que, “se calha” não devíamos ter disponibilizado o dinheiro sem uma garantia escrita da Câmara sobre como e onde esse dinheiro iria ser investido.

Sem por em causa a requalificação/reconstrução da Praia Fluvial da Ranha cuja execução é de louvar, o que é no mínimo estranho é que a Câmara tenha optado por primeiramente candidatar e executar a reparação/remodelação dessa área de lazer/praia fluvial situada em Abadim, por curiosidade a terra do senhor presidente da Assembleia Municipal, Engenheiro Joaquim Barreto mas isso é apenas coincidência e, tenha deixado para trás, de entre outras, a tão necessitada Praia/Área de Lazer de Cavez sobre a qual, embora se fale que estará a ser elaborado um projeto, em concreto ninguém sabe se vai ou não ser devidamente intervencionada.

Como já anteriormente escrevi, cabe agora ao povo de Cavez e em especial aos seus eleitos, membros da Assembleia de Freguesia, cuidar de saber que obras de interesse público, e são várias as necessárias, vão ser apresentadas e executadas com o dinheiro por nós disponibilizado.

Meus amigos a altura agora é até a mais apropriada pois neste período pré eleitoral todos, de diversas formas, iremos ser solicitados a dar o nosso apoio a uma das forças politicas em disputa.

É esta, como bem sabemos, a melhor altura para, aos candidatos, se pedir esclarecimentos e exigir garantias e, como cidadãos responsáveis devemos ser exigentes com aqueles que pretendem o nosso apoio político não dando esse apoio de “mão beijada” mas pelo contrário exigindo-lhes como contrapartida a implementação de medidas concretas para o bem comum.

 

Dâmaso Pereira