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As eleições autárquicas do dia um de outubro de 2017 decorreram, em Cabeceiras de Basto, como se esperava na mais absoluta normalidade.

Para a Câmara Municipal e um pouco contra a lógica, isto se atendermos à coligação de forças reunida em torno do candidato pelo IPC, Jorge Machado, ganhou o Partido Socialista, sendo eleito como Presidente o nosso conterrâneo Francisco Alves.

Para a Assembleia Municipal ganhou também o PS mas, sabemos bem que apesar da importância do órgão, essa eleição assume um caracter irrelevante. Por norma quem vota para a câmara, vota de forma idêntica para assembleia e por isso para população, por norma considera-se que ganhou o candidato à câmara.

Ressalve-se no entanto o pormenor de não somenos importância, nesta eleição 64 eleitores socialistas que votaram em Francisco Alves para a Câmara Municipal, não votaram no Engenheiro Joaquim Barreto para a assembleia.
Se a isto somarmos a quantidade de socialistas que, por não se reverem na atual organização do PS de Cabeceiras de Basto, votaram IPC, poderemos concluir que algo está mal no Partido Socialista de Cabeceiras de Basto.

Recapitulando, votaram para a Camara Municipal, 11.291 dos 17.170 eleitores inscritos nos cadernos eleitorais.

Destes 5.689 votaram PS, 5.153 votaram IPC e votaram 113 no PCP-PEV. A estes temos de somar 145 votos brancos e 191 votos nulos.

Relativamente à Assembleia Municipal, como já referido, há a particularidade de o Candidato Eng. Joaquim Barreto ter tido menos votos que o partido teve para a Câmara Municipal, votos estes cuja maioria julgo terão sido transferidos para a coligação PCP-PEV, que obteve nesta eleição mais 50 votos, obtendo 163.

Na nossa freguesia e como, a meu ver, era espectável ganhou o IPC, tendo sido reeleito como Presidente da Junta o nosso camarada Paulo Guerra.

Em Cavez votaram 917 dos 1.668 eleitores inscritos, sendo que 626 votaram IPC, 266 votaram PS e 4 votaram PCP-PEV. Registaram-se ainda 12 votos brancos e 9 votos nulos.

O IPC obteve assim uma maioria absoluta com uma percentagem de 68,27%.

Não podemos assim deixar de realçar o resultado obtido pelo IPC com o candidato Paulo Guerra, que face ao resultado de 2013, registou um aumento de 169 votos, muitos destes de eleitores do PS pois neste particular o Partido Socialista perdeu 121 votos face às eleições de 2013.

Sublinhe-se ainda o facto do candidato Paulo Guerra, ter obtido mais votos para a assembleia de freguesia, do obtiveram os candidatos também do IPC nas votações para a câmara municipal e para a assembleia municipal.

eleiçoes2017Foi clara a derrota do Partido Socialista na nossa freguesia.

Recordemos que em 2009 o PS, em continuidade, ganhou as eleições tendo reeleito o Augusto Teixeira para novo mandato.

Em 2013, perdeu a freguesia para os independentes XIII, liderados pelo Paulo Guerra e agora voltou a perder para o IPC.

Mas, mais que perder registou uma colossal diminuição no número de apoiantes/eleitores.

Em 2009 obteve 576 votos, em 2013 teve uma redução para 387 e agora em 2017 apenas 266. Fazendo contas, de 2009 a 2017 resulta em menos 310 eleitores, mais de metade mudaram de voto. Para uma freguesia como a nossa são muitos votos.

Se atentarmos nos resultados de 2009, já o declínio do PS na freguesia estava a ocorrer, pois constata-se que nessa eleição o candidato pelo PS obteve na freguesia menos votos do que aqueles que obtiveram os candidatos também do PS, para assembleia municipal e câmara municipal, cujos resultados foram respetivamente 597 e 618 votos. A diferença dos votos entre o candidato à freguesia e o candidato à camara pelo PS foi de 42 votos, convenhamos é substancial e já indiciava que alguns eleitores do PS de Cavez estavam com o partido mas não com o candidato escolhido para a freguesia.

Este sinal não foi tido em atenção e talvez por isso o Partido Socialista obteve, nestas ultimas eleições, um desastroso resultado.

 A verdade é que embora o candidato do PS à assembleia de freguesia, o nosso amigo Carlos Teixeira, seja uma pessoa de inegável competência e honestidade, também é certo que algumas atitudes que teve antes, enquanto autarca, foram entendidas por muitos de Cavez como prejudiciais para as coletividades da freguesia e isso terá contribuído decisivamente para a falta de apoiantes que passou a ter.

Numa sucinta análise a estas eleições facilmente se percecionam alguns erros de avaliação cometidos pelos partidos.

O IPC, a meu ver erroneamente, na ânsia de vencer aceitou coligar-se com outros partidos, nomeadamente oPSD e o CDS. 

Digo erroneamente porque pela forma como a coligação foi feita, apenas pelas cúpulas e sem o apoio maioritários dos membros/simpatizantes do PSD e CDS, o IPC pouco iria beneficiar dela, como veio a verificar-se. É que embora a liderança do PSD e CDS, tivesse decidido apoiar o IPC, o certo é que muitos dos militantes desses dois partidos o não fizeram e alguns fizeram mesmo oposição e uma aguerrida campanha a favor do Partido Socialista.

O PSD optou por não se apresentar a eleições, o que se compreende face à evidente falta de um candidato credível que de forma digna pudesse disputar a eleição.

Tenho dúvidas em considerar esta opção correta, embora tenha gostado do apoio dado ao meu amigo Jorge Machado, considero que a opção PSD de Cabeceiras foi um suicídio político a nível local.

Essa decisão trouxe ao partido uma enorme divisão interna e retirou protagonismo aos seus dirigentes. Afinal como querem ter um candidato credível se não o derem a conhecer ao povo os seus dirigentes?

Para terem credibilidade os líderes têm de ser conhecidos das pessoas e para isso têm de candidatar-se e transmitir à população as suas ideias e personalidade.

Por parte do CDS, foi uma opção normal. De facto este partido sozinho nunca foi, nem tem possibilidades de vir a ser, uma alternativa à liderança da Câmara Municipal e por isso aliar-se ao PSD ou ao IPC, não fez grande diferença.

Quanto ao Partido Socialista a situação é um pouco diferente, não se trata de falta de candidatos, são outras as razões.

O partido, a nível local, não tem aproveitado a situação de marasmo em se colocou o principal partido da oposição, o PSD e tem optado por ser ele próprio a dar sistematicamente, como usa dizer-se, tiros nos pés.

A luta interna no PS de Cabeceiras de Basto tem nos últimos anos levado ao afastamento ou melhor dizendo ao saneamento de algumas das maiores e melhores figuras do partido ao nível local, recordemos além de outros, os saneamentos do Dr. Miguel Teixeira, o Dr. Jorge Machado e por último o Dr. China Pereira.

É visível um claro mau estar geral entre as hostes do PS de Cabeceiras de Basto, mau estar que parece replicar-se em todo o distrito de Braga.

Há uma evidente dificuldade em renovar o partido.

È evidente que os responsáveis do PS não estão a saber lidar coma crescente insatisfação dos militantes e simpatizantes e insistem numa tirada para a frente, sem terem em conta os obstáculos.

Opções deste género que podem ser entendidas como tidas por gente firme e de fortes convicções, no caso em apreço não se aplicam, pelo contrário o que julgo estar em causa são evidentes tiques ditatoriais e algum caciquismo político de que responsáveis do partido sofrem.

Digo isto porque sempre estive posicionado à esquerda no espectro político nacional e sinto-me identificado com aquilo que a PS defende para a nossa sociedade.

Fui, durante anos, apoiante incondicional do PS no concelho de Cabeceiras de Basto e não estou arrependido. Continuo a ser reconhecedor do excelente trabalho que o Partido Socialista e em particular o seu líder, Engenheiro Joaquim Barreto, fizeram em Cabeceiras.

Transformaram, radicalmente para melhor, um concelho pobre e subdesenvolvido aproximando Cabeceiras do todo nacional.

Mas a experiencia diz-me que o poder corrompe, particularmente quando se prolonga no tempo e, isso parece-me ser notório em Cabeceiras, daí eu entender ser necessário que venha a ocorrer uma mudança radical no Partido Socialista local, para que aqueles membros e simpatizantes de valor que se identificam com o partido sejam novamente cativados e acolhidos nele e o partido lhes dê o mérito e a importância que merecem e, em contrário sejam corridos aqueles, medíocres, que só lá estão para se promoverem pessoalmente.

Os nossos amigos socialistas, em particular em Cavez, devem olhar para dentro e assumir os erros crassos que têm cometido, ao invés de tentar justificar os maus resultados com razões alheias ao partido, colunistas e opiniões expressas por outros.

É que, meus amigos, as pessoas e o seu carater são muito importantes e é necessário saber escolher as melhores e que no futuro poderão trazer resultados.

Os oportunistas e bajuladores que não tem opinião própria parecem, numa primeira apreciação, serem os melhores pois não nos contestam, mas não são. Não, pois sem contestação e discussão não há evolução e por isso digo, ao invés de ficar amuados com as críticas, aproveitem para as analisar e eventualmente daí tirar elações.

Terminando, felicito o Paulo Guerra pela esmagadora vitória conseguida e desejo que ele e a sua equipa continuem com o excelente trabalho que no último mandato desenvolveram e com isso melhorem a freguesia e as condições de vida dos seus fregueses.

                                                                                                                  

Dâmaso Pereira