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No início de agosto, como consequência do sentimento de frustração que atingia as pessoas de Cavez, após a tomada de conhecimento do desvio de verbas que a Câmara Municipal estava a tentar concretizar, um número considerável de populares, sejamos sinceros aqueles que mais consciência de cidadania possuem, reuniram-se e manifestaram o seu descontentamento junto da Câmara de Cabeceiras de Basto.

Dois dias mais tarde repetiram a manifestação mas desta vez junto das instalações da barragem – Iberdrola.

Estes sentidos protestos tiveram eco na comunicação social que os divulgaram nos jornais e na televisão.

Deixo aqui o meu sentido agradecimento aos cavecenses, participantes das manifestações pois, como digo, demonstraram ser pessoas dotadas de um elevado sentido de responsabilidade e consciência social, pessoas que sentem a sua terra e não temem assumir a sua intransigente defesa. Bem hajam!

Pena é que muitos outros, eu próprio me incluo nesses, tenham manifestado pouca coragem e se tenham refugiado no anonimato, não participando dessas manifestações que, devemos todos entender, mais não foram do que comportamentos reveladores de querer, de maturidade social e de independência politica.

A realização destes protestos teve impacto junto das entidades envolvidas e não foi alheio a esse facto a intervenção que se verificou, depois, por parte da Agencia Portuguesa do Ambiente.

Após a realização das ações de protesto, a Junta de Freguesia de Cavez foi convidada a participar numa reunião a realizar nas instalações da Agencia Portuguesa do Ambiente, no Porto e a ser presidida pelo Presidente da Comissão de Acompanhamento Ambiental do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, Engenheiro Pimenta Machado.

Reunião essa, marcada para o dia 12 de setembro pelas 10:30h, na qual a Junta de Freguesia marcou presença, tendo-se ali feito representar por quatro elementos. Concretamente o Presidente da Junta - Paulo Guerra, o Tesoureiro da Junta - Armindo Plácido, o Presidente da Assembleia de Freguesia - Rui Machado, e por mim enquanto freguês e membro do Cavez Clube de Caça e Pesca.

Esta reunião, que decorreu num clima de tranquilidade e respeito, teve a presença das entidades que sobre a matéria têm responsabilidade, tendo estado presentes, para além dos representantes da entidade promotora, a Agência Portuguesa do Ambiente, três representantes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, três representantes da Iberdrola e dois da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, estando em representação desta última, o Senhor Presidente da Câmara - Francisco Alves e o Vereador Pedro Jorge Pereira de Sousa.

A reunião foi conduzida de forma culta e sóbria pelo Eng. Pimenta Machado que foi dando a palavra aos presentes e possibilitou esclarecer os factos.

Essencialmente intervieram na discussão, para além do Eng. Pimenta Machado , enquanto mediador, os representantes da Junta de Freguesia, dois dos representantes da Iberdrola, nomeadamente as duas senhoras e o Presidente da Câmara Municipal. Os restantes limitaram-se a ouvir as partes.

Como digo a reunião decorreu dentro de um clima de educação e sobriedade e julgo ter tido resultados pois permitiu esclarecer os pontos de interesse das partes, particularmente a posição das gentes de Cavez na sua justa revindicação pelo dinheiro que resultou da não execução da obra de ampliação da Pista de Pesca.

Foi no entanto percetível que apesar da educação demonstrada pelo Presidente da Comissão de Acompanhamento Ambiental do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, Eng.º Pimenta Machado, aquela reunião teria mais como finalidade impôr contenção à Junta de Freguesia e consequentemente às gentes e Cavez e a isso não foi alheio o comportamento inicial do Senhor Presidente da Câmara Municipal que se apresentou como vitima de tudo, particularmente das “bocas” ditas nas manifestações, pois tal como tenho notado ser recorrente nele, começou o seu discurso falando na sua “mãezinha de 80 anos” que terá visto na televisão e falou depois consigo sobre o facto de terem proferido contra ele algumas expressões menos corretas e que indiciariam haver da sua parte alguma falta de honestidade.

Sabemos que não era o caso e não era intenção dos participantes e dos mentores das ações de protesto insultar quem quer que fosse e muito menos o Presidente da Câmara o que a ter acontecido se deveu aos ânimos um pouco mais exaltados e que terão resultado da intransigência inicial da Câmara Municipal em receber os representantes.

Por essa razão, os elementos presentes de Cavez pediram desculpas ao Presidente da Câmara pelo comportamento que possa ter havido menos correto por parte de algum dos manifestantes, justificando esse comportamento como o facto de ser muito grande a revolta dos cavecenses, acerca da injustiça que a Câmara estava a cometer.

Foi também evidente o desconforto dos elementos da Iberdrola, que protestaram por não ter a empresa responsabilidades e no entanto ter sido feita contra ela uma manifestação.

A esse ponto facilmente pude esclarecê-los que sim, é verdade, a Iberdrola não é responsável direta pelo comportamento dos responsáveis do município de Cabeceiras de Basto, mas é a Iberdrola a “dona” do dinheiro e que o entrega à câmara. Consequentemente, em caso de incumprimento da autarquia, e considerando a situação politica vigente - não esqueçamos que o PS tem na Câmara uma maioria absoluta de membros, o que lhes permite decidir a seu bel-prazer - uma das armas que nos sobra e que se necessário teremos novamente de utilizar é a pressão sobre a Iberdrola para que esta empresa, pela sua parte, exerça influência junto da câmara municipal e exija dos seus membros o cumprimento dos protocolado e dos compromissos assumidos.

Mais, foi pertinente esta pressão junto da Iberdrola, pois até para mim foi claro que a simpatia dos seus representantes ali presentes era para com a posição defendida pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto.

Foi particularmente revelador o comportamento de uma das meninas responsáveis, a que segundo creio faz a ligação com as autarquias e organiza as apresentações/esclarecimentos que anualmente são feitos com as populações pois nas suas intervenções, intencionalmente, tentou confundir os presentes jogando com as palavras e a sua semântica, para desmerecer a posição das gentes de Cavez.

Este comportamento resultou apenas no seu evidente embaraço ao ser por mim diretamente confrontada com a parcialidade que demonstrava.

Concluindo julgo que desta reunião se obtiveram alguns bons resultados, desde uma melhoria na relação pessoal entre os representantes da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, ao que me pareceu mais evidente que foi o facto dos presentes terem ficado cientes da razão que assiste ao povo de Cavez e de que não é com subterfúgios e jogos de semântica que vão confundir e baralhar quem os representa e que, se necessário, promoverão outras ações de protesto, o que esperamos não venha a ser preciso.

Já agora e numa apreciação pessoal, parece-me que o maior problema pelo incumprimento dos compromissos por parte da Câmara não se deve fundamentalmente ao Presidente da Câmara. Não, embora correndo o risco de estar a ser injusto, parece-me que o maior problema estará nos vereadores com funções executivas que assessoram e aconselham o senhor Presidente.

São dois novos vereadores, derivados do resultado das últimas eleições, a quem, de acordo com as opiniões que tenho colhido, se não conhece mérito para o lugar.

Foram duas subidas meteóricas que de certa forma as pessoas têm alguma dificuldade em entender.

Mas veremos os resultados. Para já e na relação com Cavez não parecem ser muito competentes.

Já agora e dirigindo-me diretamente ao senhor vereador Pedro Sousa, tomo a ousadia de lhe deixar um conselho. O senhor não é um funcionário municipal, é político. Se quer vingar, deve adotar um comportamento bem mais simpático e social. Comece por quando cumprimenta as pessoas, fazê-lo de forma firme e direta, não desviando o olhar como constatei que é sua norma.

Digo isto porque pessoalmente não gosto de quem não cumprimente de forma aberta e olhando diretamente a pessoa. Quem, como o senhor, sem convicção, estende a mão e simultaneamente desvia o olhar, normalmente indicia ser possuidor de uma personalidade fraca e ser pessoa de pouca confiança. Se não é o caso e é apenas um tique faça o que lhe digo, corrija-o, só lhe fica bem.